15.8.06

Vide Bula

"Tomar somente sob prescrição médica..."

Há, certamente, um longa distância entre sentir-se diferente e sê-lo. Eu me sinto único, diferente, "especial", com todos os ônus e bônus. Mas até aí todos também o são, logo ser diferente me faz ser igual. Então por que ser igual a todos causa tanta estranheza? Será que sou eu quem tanto se engana ou sou eu quem tanto é honesto consigo mesmo?

A verdade é que a resposta não importa. Não muda o fato de que nenhum dos meus amigos compreende o porquê das minhas atitudes, por mais que me conheçam, por mais que eu tente explicar. E como eu não sou bem articulado, vim pra esse espaço tentar organizar as idéias e me fazer entender... para os outros e, principalmente, para mim.

Essa nova crise comportamental surgiu junto ao desfecho de mais um começo de envolvimento sentimental. Em conversa com amigo (posteriormente amigos), fui severamente criticado no que tange as minhas razões, e isso vem se alongando por mais de duas semanas e cada vez mais, após essas conversas sempre viscerais, saio delas mais convencido de minha unicabilidade... pois sou, além de um outro conhecido, a segunda pessoa que acredita ser possível um relacionamento onde sexo não seja peça fundamental.

Para entender a coisa... um mini-flashback. Era uma vez uma criança cuja possibilidade de ser autista foi cogitada pelos pais. Essa criança cresceu num ambiente permeado de cenas descartáveis de um relacionamento sem razão de ser, onde além de tudo o pai era ausente, a mãe dominadora, a educação repressiva e a homossexualidade já começava a preencher seus pensamentos. Sua adolescência foi estéril de relacionamentos devido a certeza de que a melhor solução era não ter uma vida sentimental do que ter que tomar uma decisão definitiva sobre qualquer coisa. Assim ela formou sua personalidade: esquiva, sem auto-estima, sem vaidade, condicionado a evitar a possibilidade de qualquer interesse externo e outras blindagens ainda a serem descobertas.

Com tantas defesas, natural que só deixasse se aproximar de mim pessoas com as quais eu me sentisse confortável e que me passassem confiança. Situação essa que só vem, para mim, com intimidade. Não intimidade de nudez, do que acontece entre quatro paredes, de saber preferências e quantidades ou rotatividades... intimidade de interesses (mesmo antagônicos), de papo, de se mostrar ser algo além do que um receptáculo para testosterona e espermatozóides, seja para algo sério ou não, porque eu não sou esse pudor de pessoa que quase foi pintada anteriormente.

Apesar da minha relação com o sexo ser da "não necessidade", sou tão capaz de sexo no primeiro encontro quanto de namoro sem transar. E não vejo problema algum nisso... Você vê?

3 comentários:

robson.junior disse...

unicidade seria o adjetivo, eu acho! mas gostei do que criou! paulo freire tb criava palavras!

sexo pra mim só no D.R! ou seja, apagando a luz tudo brota!
enfim... tb já me julguei capaz do celibato, assim como me julgo cada hora de um jeito! mas chego a cinclusão, mediante minhas experiências sempre frustradas e/ou tão descartáveis qto os catálogos de moda que eu guardo e amo, mas que não choraria se pegassem fogo... que apesar de toda bagagem sentimental, moral e memorável(ou não) não passamos de explosões químicas de um corpo que desconhecemos!
o emocional talvez apenas se deixe levar pelas repercussões desses estímulos hormonais da qual não temos controle!
ultimamente tenho pensado em quem me trataria melhor! um psiquiatra ou um endócrino! ou quem sabe ambos!
sou eu dentro de um eu que não me obedece! logo sou dois! e talvez duas sejam as soluções! por isso que casamentos são furados! tentam encontrar em apenas um outro o complemento para dois eus que conflitam e coabitam o mesmo espaço! pq a física erra ao ver tudo apenas da lógica material! e burrice pouca é bobagem em tempos onde o indivíduo pouco tem a ver com sua casca mutável e "cremável"!
buscam a perfeição onde não existe longos futuros e a troco disso criam mágoas fundas na essência do eterno!
ai... difícil de me entender? fiquei com dor de cabeça de escrever tudo isso! sorry! meu corpo fraco não aguenta o fluxo de pensamentos desconexos!
beijo, te amo mesmo sem te entender!

Távio. disse...

gata, fode comigo, vai!

;*


depois comento com mais calma, muita informação pra pouco tempo acordado!

te amo, beijo!

Anônimo disse...

"He will not get bored at all. He's just watching the water at fall. So you should give him just what he needs: water and poetry". Já disse que essa música me lembra você?
*
Pode ser senso comum? "esqueça o que perdeu, invista no que ficou", era uma frase que estava na coleção de revistas Carícia das minhas irmãs (tá bem, eram minhas!). Tá na hora de parar de culpar o passado e começar a gostar mais de você no presente. Mas vou parar a verborragia de clichês por aqui, more